Feijões no Elas por Elas

17 03 2008

As atrizes da Companhia do Feijão participam, desde o dia 11 de março, do projeto “Elas por Elas”, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura em homenagem ao dia da mulher. O projeto promove a leitura, em voz alta, de textos literários de escritoras brasileiras, realizada por atrizes.

No dia 19, às 14h30, Fernanda Rapisarda lê textos na Biblioteca Gilberto Freire. No dia 26, no mesmo horário, é a vez de Vera Lamy fazer a leitura na Biblioteca Sylvia Orthof. Fernanda Hauke lê textos no dia 29, mesmo horário, na Biblioteca Vicente Paulo Guimarães. Os textos são de Clarice Lispector, Adélia Prado e Cecília Meirelles.

Já no dia 25 de março, Fernanda Rapisarda lê textos infantis de Silvia Orthof, Eva Furnari e Cecília Meirelles na Biblioteca Álvaro Guerra às 15h.

 





Reis de Fumaça na Praça da República

14 03 2008

Dentro das comemorações de uma década de existência, a Companhia do Feijão reapresenta ao público, a partir de março, os espetáculos Nonada e Reis de Fumaça. As apresentações fazem parte da mostra de repertório do grupo, que começou em janeiro. A Companhia também está em cartaz em sua sede, na Teodoro Baima (ao lado do Teatro de Arena) com o espetáculo “Nonada”.

REIS DE FUMAÇA
Espetáculo composto de recriações de danças dramáticas populares, depoimentos de personalidades ligadas a estas manifestações, histórias relacionadas à escravidão no Brasil, poesias e músicas populares de diversas origens e recriações de lembranças e experiências pesquisadas pelo elenco. Busca propiciar aos atores da companhia e aos espectadores uma experiência diferente e profunda em relação ao fazer teatral convencional.
Atores e músicos chegam a um espaço público, onde vão desenvolver dois movimentos: o íntimo, composto por depoimentos, e o espetacular, com as manifestações de rua. Às grandes estruturas feéricas das danças dramáticas, o espetáculo contrapõe experiências, depoimentos e testemunhos diretos reunidos durante o processo de criação e compartilhados diretamente com o público, de forma pessoal e quase imperceptível.

Reis de Fumaça conecta a tradição dramática brasileira à linguagem teatral já pesquisada pela companhia desde 1998. Trata-se de uma nova proposta cênica do grupo, buscando encontrar espectadores diferentes e proporcionando-lhes uma pausa no cotidiano da cidade que gere, ao mesmo tempo, diversão e reflexão. Trata-se não de simplesmente levar um espetáculo preconcebido à rua, mas sim de buscar a raiz de uma manifestação de rua. É lá, na praça, que o espetáculo se configura.

Desde 2003, o estudo de grandes performances executadas sobretudo em espaços abertos e com a participação de um grande número de pessoas colocou a Companhia do Feijão frente a um outro tipo de espetáculo. Essas manifestações populares são passadas de pai para filho, mas suas origens se perdem no tempo e sua forma atual é resultante de combinações de tradições oriundas da península ibérica, mescladas com contribuições ameríndias e africanas. Sua organização de origem comunitária – como uma quermesse – à primeira vista esconde a complexidade de seu mecanismo interno, de sua organização espetacular e a exigência de uma técnica de execução apurada de seus intérpretes.

A Companhia do Feijão se aprofundou sua abordagem sobre os espetáculos populares, suas músicas, danças, sua parte dramática e na relação deste tipo de espetáculo com o meio onde é apresentado – a rua e seus espectadores.

Paralelamente a estes estudos práticos, a Companhia investigou as origens destas e de diversas outras manifestações e colheu depoimentos de alguns dos atuais detentores destas tradições. Detectou sua teimosia em não desaparecer, sua natural resistência à cultura de massas e o seu poder aglutinador de grupos de pessoas que fazem disto sua vida, mesmo que o tempo dedicado por elas seja o de suas horas de folga.

Estudou-se também o cotidiano dos brincantes e identificou-se um abismo entre a dura realidade de seu dia-a-dia e, em contraste, a alegria, a necessidade de brincar com a realidade, de onde vem a força destas manifestações.

Percebeu-se também estas manifestações como criadoras de identidades, dado que o universo dos brincantes é constituído amplamente por pessoas de origem humilde, que executam trabalhos não qualificados e subalternos, de onde nasce uma espécie de invisibilidade pública e a conseqüente necessidade de se tornar “visível” e participante pelo menos durante os festejos populares.

Partindo desta experiência e deste estudo, chegou-se a uma performance de rua que não objetiva simplesmente a recriação de algumas destas danças dramáticas. Parte, antes, de alguns de seus princípios, e incorpora outros, específicos, da pesquisa de linguagem que a Companhia do Feijão vem realizando desde sua criação.

O que se disse de Reis de Fumaça:

“O espetáculo tem ótimos momentos, sobretudo quando entra em jogo a irreverência típica da arte popular.”
Mariangela Alves de Lima / O Estado de S.Paulo / SP

“Um dos grandes méritos de Reis de Fumaça é esse fomentar do diálogo entre a arte e o espaço público.”
Michel Fernandes / Aplauso Brasil / Internet

“A atenção sorridente dos passantes, comprova a eficácia do espetáculo Reis de Fumaça.”
Ana Paula Sousa / Revista Carta Capital

“O público se encantou com a atuação dos atores e ouviram atentamente o que estes tinham para contar.”
Folha de Rio Preto / SP

Serviço
Reis de Fumaça
Estréia: 14 de março de 2008
Temporada: 14/03 a 02/05 – sextas-feiras às 16h
Local: Praça da República
Tel.: 11 3259.9086
Duração: 60 minutos
Entrada: grátis
Recomendado para maiores de 12 anos.





Nonada

9 03 2008

Dentro das comemorações de uma década de existência, a Companhia do Feijão reapresenta ao público, a partir de março, o espetáculo Nonada. As apresentações fazem parte da mostra de repertório do grupo, que começou em 25 de janeiro com “Pálido Colosso”, espetáculo mais recente da Companhia.

Fora de um tempo ou lugar, Nonada conta como o dono de um estranho circo conduz um desmemoriado à descoberta de sua trágica origem. A revelação surge de um perverso jogo de gato e rato por uma labiríntica trajetória de encontros com personagens de Machado de Assis, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Concebido a partir das memórias destes personagens brasileiros, o espetáculo põe em cena nosso conflito fundamental: o processo de modernização conservadora que nos gerou e criou nossa difusa identidade. 

O espetáculo é resultante da pesquisa Um lugar chamado Brasil – sua história a partir das almas de suas personagens, contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A partir das metodologias básicas da Companhia do Feijão para o treinamento do ator e a composição do espetáculo – a criação em processo – foram realizados estudos cênicos de obras e autores literários representativos de quatro períodos históricos brasileiros.

Como resultado final, Nonada reúne adaptações entrelaçadas dos contos Pai contra Mãe (Machado de Assis), Túmulo, Túmulo, Túmulo (Mário de Andrade), e O Grande Passeio e A Bela e a Fera (Clarice Lispector), além de uma livre apropriação do personagem Brás Cubas, também de Machado de Assis.
 

A escolha das obras literárias de cada período histórico teve como base a presença de personagens com a alma marcada pelo momento histórico em que viveram e pela dinâmica social então vigente. Alma marcada: a expressão evoca as impossibilidades de realização pessoal, de sonhos e vontades, ou sua ausência, como uma característica desta alma. Uma marca pelo avesso.  

Os atores realizaram experiências com vários personagens e, como contraponto, como campo de observação, foram buscar em suas próprias experiências de vida, em suas almas, o paralelo histórico entre almas antigas e contemporâneas. Durante o tempo destes estudos, a Companhia buscou idiossincrasias, semelhanças e antagonismos presentes na condição de “ser brasileiro”, a partir do olhar de escritores que se mostraram bons observadores das realidades de suas épocas.  

A literatura é tomada pelo grupo como o principal meio de conhecimento da história do Brasil, como o órgão epistemológico por excelência da cultura brasileira. Ou, utilizando uma expressão de Roberto Schwarz, a literatura como espelho de nossas “idéias fora do lugar”, do eterno descompasso de nossas “modernizações conservadoras”.

 O que se disse de Nonada: “A Companhia do Feijão vem criando trabalhos que estão entre os mais importantes na cena paulistana dos últimos anos.”Kil Abreu / Revista Bravo! “Do cordão umbilical à corda no pescoço, a talentosa Companhia do Feijão fabula a tragédia brasileira.”Valmir Santos / Folha de S.Paulo / SP  “[A Companhia do Feijão] em poucos anos adquiriu prestígio e cativou espectadores. … [Nonada é] inovação melancólica, quase desesperada, da trivialidade do sofrimento.”Mariangela Alves de Lima / O Estado de S.Paulo / SP 

Serviço

Nonada

Estréia: 07/03 Temporada: 07/03 a 13/04 – sextas e sábados às 21h e domingos às 20hLocal: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima 68, República (próximo ao metrô)Tel.: 11 3259.9086Capacidade: 50 lugaresDuração: 65 minutosEntrada: R$ 20,00 (meia entrada válida nos casos previstos por lei)Recomendado para maiores de 12 anos.