O espetáculo Nonada entra em sua última semana de apresentações dentro da mostra de repertório da Companhia do Feijão. Em cartaz até o dia 13 de abril, o espetáculo conta como o dono de um estranho circo conduz um desmemoriado à descoberta de sua trágica origem. A revelação surge de um perverso jogo de gato e rato por uma labiríntica trajetória de encontros com personagens de Machado de Assis, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Concebido a partir das memórias destes personagens brasileiros, o espetáculo põe em cena nosso conflito fundamental: o processo de modernização conservadora que nos gerou e criou nossa difusa identidade.
O espetáculo é resultante da pesquisa Um lugar chamado Brasil – sua história a partir das almas de suas personagens, contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A partir das metodologias básicas da Companhia do Feijão para o treinamento do ator e a composição do espetáculo – a criação em processo – foram realizados estudos cênicos de obras e autores literários representativos de quatro períodos históricos brasileiros. Como resultado final, Nonada reúne adaptações entrelaçadas dos contos Pai contra Mãe (Machado de Assis), Túmulo, Túmulo, Túmulo (Mário de Andrade), e O Grande Passeio e A Bela e a Fera (Clarice Lispector), além de uma livre apropriação do personagem Brás Cubas, também de Machado de Assis.
A escolha das obras literárias de cada período histórico teve como base a presença de personagens com a alma marcada pelo momento histórico em que viveram e pela dinâmica social então vigente. Alma marcada: a expressão evoca as impossibilidades de realização pessoal, de sonhos e vontades, ou sua ausência, como uma característica desta alma. Uma marca pelo avesso.
Os atores realizaram experiências com vários personagens e, como contraponto, como campo de observação, foram buscar em suas próprias experiências de vida, em suas almas, o paralelo histórico entre almas antigas e contemporâneas. Durante o tempo destes estudos, a Companhia buscou idiossincrasias, semelhanças e antagonismos presentes na condição de “ser brasileiro”, a partir do olhar de escritores que se mostraram bons observadores das realidades de suas épocas.
A literatura é tomada pelo grupo como o principal meio de conhecimento da história do Brasil, como o órgão epistemológico por excelência da cultura brasileira. Ou, utilizando uma expressão de Roberto Schwarz, a literatura como espelho de nossas “idéias fora do lugar”, do eterno descompasso de nossas “modernizações conservadoras”.
PROGRAME-SE:
Nonada
Temporada: 07/03 a 13/04 – sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Local: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima 68, República (próximo ao metrô)
Tel.: 11 3259.9086
Capacidade: 50 lugares
Duração: 65 minutos
Entrada: R$ 20,00 (meia entrada válida nos casos previstos por lei)
Recomendado para maiores de 12 anos.