feijões homenageiam Machado de Assis

9 06 2008

Na próxima quarta-feira, 11 de junho, integrantes da Companhia do Feijão lêem contos de Machado de Assis na Biblioteca Municipal José Mauro de Vasconcelos, dentro do projeto Leitura em Voz Alta, que homenageia o centenário do escritor. Guto Togniazzolo, Pedro Pires, Petrônio Nascimento e Zernesto Pessoa lêem textos como O espelho (do livro Papéis Avulsos), Pai contra mãe (de Relíquias de casa velha), entre outros.

A programação se estende por outras bibliotecas. Confira:

11/06 – Biblioteca Mauro de Vasconcelos – 9h30 às 10h30 (Praça Com. Eduardo de Oliveira s/n, Pq. Edu Chaves, Zona Norte – Tel.: 2242-8196)

18/06 – Biblioteca Menotti Del Picchia – 14h às 15h (Rua São Romualdo 382 – Limão, Zona Norte – Tel.: 3966-4814).

19/06 – Biblioteca Brito Broca (Pirituba) – 14h.

26/09 – Biblioteca Afonso Schmidt (Freguesia do Ó) – 14h.

27/09 – Biblioteca Adelpha Figueiredo (Canindé) – 14h.

Informações: Secretaria Municipal de Cultura (3224-0641)

 

 

 

 

 





feijões apresentam “Reis de Fumaça” no fim de semana

4 06 2008

 

No dia 06 de junho, próxima sexta-feira, a Cia do Feijão apresenta o espetáculo de rua “Reis de Fumaça” dentro da programação Teatro sobre a Cidade, realização do Tablado de Arruar e do Sesc Consolação. A apresentação acontece no Largo Santa Cecília, a partir das 16h. O evento inclui apresentação de espetáculos, encontros e oficina em uma mostra que visa lançar um olhar sobre as relações entre a produção teatral e a polis, a partir de diferentes formas de diálogo com o espaço urbano, na busca de uma reflexão sobre estética e cidadania. Todas as atividades são gratuitas. Saiba mais em http://www.sescsp.org.br.

 

No sábado,também às 16h, a Companhia do Feijão apresenta o mesmo espetáculo na Praça Mestre José Caetano, dentro do projeto Arte em Construção – Semeando Asas na Comunidade, do grupo Pombas Urbanas. O Projeto Semeando Asas na Comunidade, elaborado pelo grupo Pombas Urbanas, promove apresentações de espetáculos teatrais em locais públicos do bairro Cidade Tiradentes, cursos de teatro para jovens, além de apresentações no Centro Cultural Arte em Construção durante todo o ano. O objetivo é que a comunidade tenha amplo acesso a espetáculos de rua e de palco, a teatro para adultos, jovens e crianças, conhecendo técnicas do fazer teatral e se preparando artisticamente para se expressar por meio do teatro. Saiba mais em http://www.pombasurbanas.org.br 

 

 

Reis de Fumaça é um espetáculo composto de fragmentos: de danças dramáticas populares, de depoimentos de personalidades ligadas a estas manifestações, de documentos históricos relacionados à escravidão no Brasil, de poesias e músicas populares de diversas origens e de recriações de experiências pessoais do elenco. Busca propiciar aos atores da companhia e aos espectadores uma experiência diferente e profunda em relação ao fazer teatral convencional. Seis atores chegam a um espaço público – uma praça -, onde vão desenvolver dois movimentos: o espetacular, com as manifestações de rua, e o íntimo, composto por depoimentos. Às grandes estruturas feéricas das danças dramáticas, o espetáculo contrapõe experiências, depoimentos e testemunhos diretos reunidos durante o processo de criação. Ao grande estardalhaço que chama a atenção de longe, contrapõe intervenções, em alguns casos quase imperceptíveis. Tudo no mesmo lugar, único e ao mesmo tempo infinito: a rua, espaço público por excelência.

  

Reis de Fumaça

Data: 06/07/2008

Horário: 16h

Local: Largo Santa Cecília

 

 

Data: 07/07/2008

Horário: 16h

Local: Praça Mestre José Caetano, em Cidade Tiradentes

Grátis, recomendado para maiores de 12 anos

 

 

 

 

 

 





feijões na revista bacante

17 05 2008

Trecho da crítica feita por Juliene Codognotto sobre o espetáculo “Mire Veja” para a Revista Bacante:

 

“O capítulo 24 – Uma estante – do livro eles eram muitos cavalos não entrou na adaptação da Cia do Feijão. Nem o 25. Tampouco a frase que dá início ao 55. Muitos outros, entre os 69 e a página-final-sem-capítulo-a-que-pertencer, ficaram de fora. No entanto, sendo o próprio livro um apanhado de recortes(,) de histórias(,) de pessoas(,) da cidade(,) de São Paulo, era de se esperar que ao trazer para a cena as 150 páginas escritas pelo mineiro (!) Luiz Ruffato, a Cia do Feijão fizesse, ela também, suas escolhas.

Escolhidas e reencaixadas, as histórias vão se desenhando no centro de um palco em formato de arena e cinco atores se transformam nas 10.995.082 pessoa que vivem em São Paulo (segundo o site da prefeitura), sem contar as que só passam por aqui. Trazem os corpos, os sapatos, os sons de uma cidade que provoca sentimentos contraditórios e que tem o movimento como característica indiscutível, ora terrível, ora maravilhosa.

Movimentos e sons ditam o ritmo de uma encenação que não apresenta criações mirabolantes, cenários de um milhão de dólares ou rituais de 12 horas, mas consegue transformar em imagens o texto complexo de Ruffato, em que o conteúdo caminha intimamente ligado à forma e a linearidade é completamente deixada de lado. Apresentar os sapatos dos personagens como metonímia de vidas tão diversas e ao mesmo tempo tão iguais é uma das soluções encontradas no livro e, nesse caso, multiplicada na peça, ganhando ainda mais intensidade e poesia.

É preciso considerar que, talvez, a referência às ruas paulistanas seja uma limitação na fruição de quem não mora em São Paulo ou de quem mora, mas não vive. Por mim, tudo bem. Não só porque eu vivo em São Paulo – nessa São Paulo de sons, movimentos, pobrezas e belezas – mas também porque na metrópole estão aumentados como numa lupa os elementos da essência humana e do que é, hoje, nossa sociedade do medo. Unir o capítulo em que Ruffato descreve a cena de um rato mordiscando a pele de um bebê que dorme na rua às considerações finais do livro que revelam o medo de um casal em abrir a porta de casa após ouvir um gemido

(”_ Não vamos ajudar?
_ Ficou louca? (…) Melhor dormir… Vai… (…) Amanhã a gente fica sabendo…”)

foi uma das escolhas mais reveladoras da Cia do Feijão. E não revela somente os paulistanos, mas os medrosos todos. Todos os que esperamos pra ler as tragédias nos jornais. Amanhã.

90% do caminho andado ao encontrar o texto.”

* ESPIE  ESTE TEXTO COMPLETO E OUTROS SOBRE A CIA DO FEIJÃO NA BACANTE:





mire veja

21 04 2008

No próximo dia 25 de abril, sexta-feira, a Companhia do Feijão reestréia o premiado espetáculo “Mire Veja”. São 24 histórias curtas, fragmentadas e entrelaçadas, que falam da vida na metrópole e de pessoas de diversas origens e classes sociais que nela habitam. Com cerca de 30 personagens que não se encontram, as histórias encadeiam-se como flashes no tempo impossível de São Paulo. Um mosaico a partir do qual é possível vislumbrar uma parte desse universo tão densamente povoado pela diversidade.

Mire Veja é uma livre adaptação de eles eram muitos cavalos, livro de Luiz Ruffato contemplado com os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Machado de Assis (Biblioteca Nacional). Decorre das duas criações anteriores (O Ó da Viagem e Antigo 1850), fechando um ciclo e formando uma trilogia. Depois do sertão nordestino e das áreas periféricas urbanas, em Mire Veja chega-se ao coração da metrópole, num zoom sobre histórias de vida de pessoas anônimas. Estreou em 2003 na Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba e recebeu no mesmo ano os prêmios APCA (melhor espetáculo) e Shell (Categoria Especial – por sua concepção e criação).

O espetáculo fica em cartaz até o dia 29 de junho, sempre às 21h às sextas e sábados e às 20h aos domingos.





última oportunidade

6 04 2008

O espetáculo Nonada entra em sua última semana de apresentações dentro da mostra de repertório da Companhia do Feijão. Em cartaz até o dia 13 de abril, o espetáculo conta como o dono de um estranho circo conduz um desmemoriado à descoberta de sua trágica origem. A revelação surge de um perverso jogo de gato e rato por uma labiríntica trajetória de encontros com personagens de Machado de Assis, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Concebido a partir das memórias destes personagens brasileiros, o espetáculo põe em cena nosso conflito fundamental: o processo de modernização conservadora que nos gerou e criou nossa difusa identidade.

 

O espetáculo é resultante da pesquisa Um lugar chamado Brasil – sua história a partir das almas de suas personagens, contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A partir das metodologias básicas da Companhia do Feijão para o treinamento do ator e a composição do espetáculo – a criação em processo – foram realizados estudos cênicos de obras e autores literários representativos de quatro períodos históricos brasileiros. Como resultado final, Nonada reúne adaptações entrelaçadas dos contos Pai contra Mãe (Machado de Assis), Túmulo, Túmulo, Túmulo (Mário de Andrade), e O Grande Passeio e A Bela e a Fera (Clarice Lispector), além de uma livre apropriação do personagem Brás Cubas, também de Machado de Assis.


A escolha das obras literárias de cada período histórico teve como base a presença de personagens com a alma marcada pelo momento histórico em que viveram e pela dinâmica social então vigente. Alma marcada: a expressão evoca as impossibilidades de realização pessoal, de sonhos e vontades, ou sua ausência, como uma característica desta alma. Uma marca pelo avesso.

 

Os atores realizaram experiências com vários personagens e, como contraponto, como campo de observação, foram buscar em suas próprias experiências de vida, em suas almas, o paralelo histórico entre almas antigas e contemporâneas. Durante o tempo destes estudos, a Companhia buscou idiossincrasias, semelhanças e antagonismos presentes na condição de “ser brasileiro”, a partir do olhar de escritores que se mostraram bons observadores das realidades de suas épocas.

 

A literatura é tomada pelo grupo como o principal meio de conhecimento da história do Brasil, como o órgão epistemológico por excelência da cultura brasileira. Ou, utilizando uma expressão de Roberto Schwarz, a literatura como espelho de nossas “idéias fora do lugar”, do eterno descompasso de nossas “modernizações conservadoras”.

 

PROGRAME-SE:

Nonada

Temporada: 07/03 a 13/04 – sextas e sábados às 21h e domingos às 20h

Local: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima 68, República (próximo ao metrô)

Tel.: 11 3259.9086

Capacidade: 50 lugares

Duração: 65 minutos

Entrada: R$ 20,00 (meia entrada válida nos casos previstos por lei)

Recomendado para maiores de 12 anos.





Feijões no Elas por Elas

17 03 2008

As atrizes da Companhia do Feijão participam, desde o dia 11 de março, do projeto “Elas por Elas”, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura em homenagem ao dia da mulher. O projeto promove a leitura, em voz alta, de textos literários de escritoras brasileiras, realizada por atrizes.

No dia 19, às 14h30, Fernanda Rapisarda lê textos na Biblioteca Gilberto Freire. No dia 26, no mesmo horário, é a vez de Vera Lamy fazer a leitura na Biblioteca Sylvia Orthof. Fernanda Hauke lê textos no dia 29, mesmo horário, na Biblioteca Vicente Paulo Guimarães. Os textos são de Clarice Lispector, Adélia Prado e Cecília Meirelles.

Já no dia 25 de março, Fernanda Rapisarda lê textos infantis de Silvia Orthof, Eva Furnari e Cecília Meirelles na Biblioteca Álvaro Guerra às 15h.

 





Reis de Fumaça na Praça da República

14 03 2008

Dentro das comemorações de uma década de existência, a Companhia do Feijão reapresenta ao público, a partir de março, os espetáculos Nonada e Reis de Fumaça. As apresentações fazem parte da mostra de repertório do grupo, que começou em janeiro. A Companhia também está em cartaz em sua sede, na Teodoro Baima (ao lado do Teatro de Arena) com o espetáculo “Nonada”.

REIS DE FUMAÇA
Espetáculo composto de recriações de danças dramáticas populares, depoimentos de personalidades ligadas a estas manifestações, histórias relacionadas à escravidão no Brasil, poesias e músicas populares de diversas origens e recriações de lembranças e experiências pesquisadas pelo elenco. Busca propiciar aos atores da companhia e aos espectadores uma experiência diferente e profunda em relação ao fazer teatral convencional.
Atores e músicos chegam a um espaço público, onde vão desenvolver dois movimentos: o íntimo, composto por depoimentos, e o espetacular, com as manifestações de rua. Às grandes estruturas feéricas das danças dramáticas, o espetáculo contrapõe experiências, depoimentos e testemunhos diretos reunidos durante o processo de criação e compartilhados diretamente com o público, de forma pessoal e quase imperceptível.

Reis de Fumaça conecta a tradição dramática brasileira à linguagem teatral já pesquisada pela companhia desde 1998. Trata-se de uma nova proposta cênica do grupo, buscando encontrar espectadores diferentes e proporcionando-lhes uma pausa no cotidiano da cidade que gere, ao mesmo tempo, diversão e reflexão. Trata-se não de simplesmente levar um espetáculo preconcebido à rua, mas sim de buscar a raiz de uma manifestação de rua. É lá, na praça, que o espetáculo se configura.

Desde 2003, o estudo de grandes performances executadas sobretudo em espaços abertos e com a participação de um grande número de pessoas colocou a Companhia do Feijão frente a um outro tipo de espetáculo. Essas manifestações populares são passadas de pai para filho, mas suas origens se perdem no tempo e sua forma atual é resultante de combinações de tradições oriundas da península ibérica, mescladas com contribuições ameríndias e africanas. Sua organização de origem comunitária – como uma quermesse – à primeira vista esconde a complexidade de seu mecanismo interno, de sua organização espetacular e a exigência de uma técnica de execução apurada de seus intérpretes.

A Companhia do Feijão se aprofundou sua abordagem sobre os espetáculos populares, suas músicas, danças, sua parte dramática e na relação deste tipo de espetáculo com o meio onde é apresentado – a rua e seus espectadores.

Paralelamente a estes estudos práticos, a Companhia investigou as origens destas e de diversas outras manifestações e colheu depoimentos de alguns dos atuais detentores destas tradições. Detectou sua teimosia em não desaparecer, sua natural resistência à cultura de massas e o seu poder aglutinador de grupos de pessoas que fazem disto sua vida, mesmo que o tempo dedicado por elas seja o de suas horas de folga.

Estudou-se também o cotidiano dos brincantes e identificou-se um abismo entre a dura realidade de seu dia-a-dia e, em contraste, a alegria, a necessidade de brincar com a realidade, de onde vem a força destas manifestações.

Percebeu-se também estas manifestações como criadoras de identidades, dado que o universo dos brincantes é constituído amplamente por pessoas de origem humilde, que executam trabalhos não qualificados e subalternos, de onde nasce uma espécie de invisibilidade pública e a conseqüente necessidade de se tornar “visível” e participante pelo menos durante os festejos populares.

Partindo desta experiência e deste estudo, chegou-se a uma performance de rua que não objetiva simplesmente a recriação de algumas destas danças dramáticas. Parte, antes, de alguns de seus princípios, e incorpora outros, específicos, da pesquisa de linguagem que a Companhia do Feijão vem realizando desde sua criação.

O que se disse de Reis de Fumaça:

“O espetáculo tem ótimos momentos, sobretudo quando entra em jogo a irreverência típica da arte popular.”
Mariangela Alves de Lima / O Estado de S.Paulo / SP

“Um dos grandes méritos de Reis de Fumaça é esse fomentar do diálogo entre a arte e o espaço público.”
Michel Fernandes / Aplauso Brasil / Internet

“A atenção sorridente dos passantes, comprova a eficácia do espetáculo Reis de Fumaça.”
Ana Paula Sousa / Revista Carta Capital

“O público se encantou com a atuação dos atores e ouviram atentamente o que estes tinham para contar.”
Folha de Rio Preto / SP

Serviço
Reis de Fumaça
Estréia: 14 de março de 2008
Temporada: 14/03 a 02/05 – sextas-feiras às 16h
Local: Praça da República
Tel.: 11 3259.9086
Duração: 60 minutos
Entrada: grátis
Recomendado para maiores de 12 anos.





Nonada

9 03 2008

Dentro das comemorações de uma década de existência, a Companhia do Feijão reapresenta ao público, a partir de março, o espetáculo Nonada. As apresentações fazem parte da mostra de repertório do grupo, que começou em 25 de janeiro com “Pálido Colosso”, espetáculo mais recente da Companhia.

Fora de um tempo ou lugar, Nonada conta como o dono de um estranho circo conduz um desmemoriado à descoberta de sua trágica origem. A revelação surge de um perverso jogo de gato e rato por uma labiríntica trajetória de encontros com personagens de Machado de Assis, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Concebido a partir das memórias destes personagens brasileiros, o espetáculo põe em cena nosso conflito fundamental: o processo de modernização conservadora que nos gerou e criou nossa difusa identidade. 

O espetáculo é resultante da pesquisa Um lugar chamado Brasil – sua história a partir das almas de suas personagens, contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A partir das metodologias básicas da Companhia do Feijão para o treinamento do ator e a composição do espetáculo – a criação em processo – foram realizados estudos cênicos de obras e autores literários representativos de quatro períodos históricos brasileiros.

Como resultado final, Nonada reúne adaptações entrelaçadas dos contos Pai contra Mãe (Machado de Assis), Túmulo, Túmulo, Túmulo (Mário de Andrade), e O Grande Passeio e A Bela e a Fera (Clarice Lispector), além de uma livre apropriação do personagem Brás Cubas, também de Machado de Assis.
 

A escolha das obras literárias de cada período histórico teve como base a presença de personagens com a alma marcada pelo momento histórico em que viveram e pela dinâmica social então vigente. Alma marcada: a expressão evoca as impossibilidades de realização pessoal, de sonhos e vontades, ou sua ausência, como uma característica desta alma. Uma marca pelo avesso.  

Os atores realizaram experiências com vários personagens e, como contraponto, como campo de observação, foram buscar em suas próprias experiências de vida, em suas almas, o paralelo histórico entre almas antigas e contemporâneas. Durante o tempo destes estudos, a Companhia buscou idiossincrasias, semelhanças e antagonismos presentes na condição de “ser brasileiro”, a partir do olhar de escritores que se mostraram bons observadores das realidades de suas épocas.  

A literatura é tomada pelo grupo como o principal meio de conhecimento da história do Brasil, como o órgão epistemológico por excelência da cultura brasileira. Ou, utilizando uma expressão de Roberto Schwarz, a literatura como espelho de nossas “idéias fora do lugar”, do eterno descompasso de nossas “modernizações conservadoras”.

 O que se disse de Nonada: “A Companhia do Feijão vem criando trabalhos que estão entre os mais importantes na cena paulistana dos últimos anos.”Kil Abreu / Revista Bravo! “Do cordão umbilical à corda no pescoço, a talentosa Companhia do Feijão fabula a tragédia brasileira.”Valmir Santos / Folha de S.Paulo / SP  “[A Companhia do Feijão] em poucos anos adquiriu prestígio e cativou espectadores. … [Nonada é] inovação melancólica, quase desesperada, da trivialidade do sofrimento.”Mariangela Alves de Lima / O Estado de S.Paulo / SP 

Serviço

Nonada

Estréia: 07/03 Temporada: 07/03 a 13/04 – sextas e sábados às 21h e domingos às 20hLocal: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima 68, República (próximo ao metrô)Tel.: 11 3259.9086Capacidade: 50 lugaresDuração: 65 minutosEntrada: R$ 20,00 (meia entrada válida nos casos previstos por lei)Recomendado para maiores de 12 anos.





O Caldo Musical

19 02 2008

A Companhia do Feijão está promovendo o projeto O Caldo Musical, que oferece apresentações especiais de artistas convidados na sede da Companhia, logo após os espetáculos de teatro. Venha conhecer nesta sexta-feira, dia 22 de fevereiro, o grupo vocal Canto porque gosto, com o programa Reflexos de Samba/Sampa, direção musical de Julio Giudice Maluf 

Horário: Logo após a sessão de Pálido Colosso, que começa às 21h.

A apresentação musical é gratuita.  

Companhia do Feijão

Rua Teodoro Baima 68, República – próximo ao metrô

11 3259 9086





Pálido Colosso até março

14 02 2008

Quem não assistiu a “Pálido Colosso”, espetáculo mais recente da Cia do Feijão, tem até 02 março para conferir. Depois, dando seguimento à mostra de repertório (uma das atividades que marca as comemorações dos dez anos do grupo), os Feijões apresentarão a peça “Nonada”. Março também é mês de rever o espetáculo de rua “Reis de Fumaça”, que será apresentado na Praça da República.  

“Pálido Colosso” propõe um repensar sobre as escolhas feitas por cada um de nós no correr dessa história.Numa espécie de cabaré “degenerado”, quadros de diversos gêneros abordam fatos da ditadura aos dias de hoje: regime de exceção, futebol, abertura política, presidentes do país neste período, boas e nem tão boas participações de artistas nestes processos. 

Ao mesmo tempo em que a história política do país é abordada em esfera abrangente, memórias pessoais de cada um dos integrantes da companhia pontuam e entremeiam o espetáculo, tentando apreender o quanto as brincadeiras de criança, por exemplo, moldaram os adultos em que se transformaram. Apontando sempre para a alienação proporcionada pelo sistema e para a perda da inocência no decorrer de todo o processo político brasileiro desde os anos 60. 

O processo de criação deste espetáculo é resultante do projeto de pesquisa “Por que a esquerda se endireita – um estudo da alma brasileira contemporânea”, contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Os experimentos cênicos foram basicamente divididos em três frentes: memória pessoal dos atores, releitura de textos teatrais representativos da época em estudo e um diversificado conjunto de materiais que incluem conteúdos jornalísticos, obras literárias e musicais, além de ensaios sobre a realidade brasileira contemporânea, sempre dentro de uma abordagem que se poderia chamar de “desconstrutiva”. 

Dada a condição de todos os integrantes da companhia de “personagens” brasileiros vivos da época em estudo, ganhou relevância durante o processo de criação a exploração de memórias pessoais que de algum modo refletissem cada momento histórico abordado. Com idades que variam de 32 a 54 anos, os atores resgataram memórias significativas de 3 períodos básicos de suas vidas – infância/adolescência, idade adulta e momento presente – e juntamente com os diretores-dramaturgos teceram relações com fatos políticos que ocorriam em cada momento. 

Buscou-se com isto uma postura crítica ao movimento de resistência de esquerda – aí incluídos os próprios membros da companhia – frente ao momento repressor por que passamos sobretudo após o golpe de 64, mas cujas raízes remontam ao período colonial e ao processo de formação do Brasil como nação moderna. Para concluir que ainda e sempre este país “quase é”, nunca conseguindo tornar-se igualitário e justo e acabando por vitimar mesmo as melhores intenções. 

Como materiais suplementares, foram essenciais os estudos realizados sobre obras biográficas de personagens políticos nacionais, entrevistas e consulta à obra de pensadores brasileiros contemporâneos como Roberto Scwharz, Paulo Arantes, José Antônio Pasta Jr. e Iná Camargo Costa, material jornalístico contemporâneo de cobertura geral e política, estruturas e conteúdos de meios de difusão do século passado e a extensa musicografia brasileira das últimas quatro décadas.