Dentro das comemorações de uma década de existência, a Companhia do Feijão reapresenta ao público, a partir de março, os espetáculos Nonada e Reis de Fumaça. As apresentações fazem parte da mostra de repertório do grupo, que começou em janeiro. A Companhia também está em cartaz em sua sede, na Teodoro Baima (ao lado do Teatro de Arena) com o espetáculo “Nonada”.
REIS DE FUMAÇA
Espetáculo composto de recriações de danças dramáticas populares, depoimentos de personalidades ligadas a estas manifestações, histórias relacionadas à escravidão no Brasil, poesias e músicas populares de diversas origens e recriações de lembranças e experiências pesquisadas pelo elenco. Busca propiciar aos atores da companhia e aos espectadores uma experiência diferente e profunda em relação ao fazer teatral convencional. Atores e músicos chegam a um espaço público, onde vão desenvolver dois movimentos: o íntimo, composto por depoimentos, e o espetacular, com as manifestações de rua. Às grandes estruturas feéricas das danças dramáticas, o espetáculo contrapõe experiências, depoimentos e testemunhos diretos reunidos durante o processo de criação e compartilhados diretamente com o público, de forma pessoal e quase imperceptível.
Reis de Fumaça conecta a tradição dramática brasileira à linguagem teatral já pesquisada pela companhia desde 1998. Trata-se de uma nova proposta cênica do grupo, buscando encontrar espectadores diferentes e proporcionando-lhes uma pausa no cotidiano da cidade que gere, ao mesmo tempo, diversão e reflexão. Trata-se não de simplesmente levar um espetáculo preconcebido à rua, mas sim de buscar a raiz de uma manifestação de rua. É lá, na praça, que o espetáculo se configura.
Desde 2003, o estudo de grandes performances executadas sobretudo em espaços abertos e com a participação de um grande número de pessoas colocou a Companhia do Feijão frente a um outro tipo de espetáculo. Essas manifestações populares são passadas de pai para filho, mas suas origens se perdem no tempo e sua forma atual é resultante de combinações de tradições oriundas da península ibérica, mescladas com contribuições ameríndias e africanas. Sua organização de origem comunitária – como uma quermesse – à primeira vista esconde a complexidade de seu mecanismo interno, de sua organização espetacular e a exigência de uma técnica de execução apurada de seus intérpretes.
A Companhia do Feijão se aprofundou sua abordagem sobre os espetáculos populares, suas músicas, danças, sua parte dramática e na relação deste tipo de espetáculo com o meio onde é apresentado – a rua e seus espectadores.
Paralelamente a estes estudos práticos, a Companhia investigou as origens destas e de diversas outras manifestações e colheu depoimentos de alguns dos atuais detentores destas tradições. Detectou sua teimosia em não desaparecer, sua natural resistência à cultura de massas e o seu poder aglutinador de grupos de pessoas que fazem disto sua vida, mesmo que o tempo dedicado por elas seja o de suas horas de folga.
Estudou-se também o cotidiano dos brincantes e identificou-se um abismo entre a dura realidade de seu dia-a-dia e, em contraste, a alegria, a necessidade de brincar com a realidade, de onde vem a força destas manifestações.
Percebeu-se também estas manifestações como criadoras de identidades, dado que o universo dos brincantes é constituído amplamente por pessoas de origem humilde, que executam trabalhos não qualificados e subalternos, de onde nasce uma espécie de invisibilidade pública e a conseqüente necessidade de se tornar “visível” e participante pelo menos durante os festejos populares.
Partindo desta experiência e deste estudo, chegou-se a uma performance de rua que não objetiva simplesmente a recriação de algumas destas danças dramáticas. Parte, antes, de alguns de seus princípios, e incorpora outros, específicos, da pesquisa de linguagem que a Companhia do Feijão vem realizando desde sua criação.
O que se disse de Reis de Fumaça:
“O espetáculo tem ótimos momentos, sobretudo quando entra em jogo a irreverência típica da arte popular.”
Mariangela Alves de Lima / O Estado de S.Paulo / SP
“Um dos grandes méritos de Reis de Fumaça é esse fomentar do diálogo entre a arte e o espaço público.”
Michel Fernandes / Aplauso Brasil / Internet
“A atenção sorridente dos passantes, comprova a eficácia do espetáculo Reis de Fumaça.”
Ana Paula Sousa / Revista Carta Capital
“O público se encantou com a atuação dos atores e ouviram atentamente o que estes tinham para contar.”
Folha de Rio Preto / SP
Serviço
Reis de Fumaça
Estréia: 14 de março de 2008
Temporada: 14/03 a 02/05 – sextas-feiras às 16h
Local: Praça da República
Tel.: 11 3259.9086
Duração: 60 minutos
Entrada: grátis
Recomendado para maiores de 12 anos.